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Arquivo para o mês “outubro, 2016”

Uma das alegações dos republicanos para a derrubada da Monarquia

10 • Uma das alegações dos republicanos para a derrubada da Monarquia, era o que eles chamavam de custo excessivo da Família Imperial… Mesmo assim! o então recém Ditador Deodoro se remunera com um salário correspondente ao dobro do que esta família recebia. Além do banimento ocorreu confisco dos bens (particulares) da família imperial. Praticamente todos os bens e pertences dos Orleans e Bragança foram leiloados. (…) Sustentar uma Família Imperial ou Real é muito mais barato do que sustentar um Presidente e sua Família. Na monarquia sustenta-se apenas a Família do Monarca, em certos casos apenas o Monarca e o Herdeiro. Na República Brasileira, por exemplo, sustenta-se o presidente, sua família e assessores, sustentam-se também todos os ex-presidentes (pelas aposentadorias “concedidas” ao fim de seus mandatos), inclusive aqueles que por algum motivo, na falta do presidente eleito, ocuparam a presidência da república, ou seja, o vice-presidente, os presidentes do Senado e Câmara federal ou o ministro do Supremo Tribunal Federal que tenham ocupado, mesmo que por apenas um dia a presidência. Esta República também continua sustentando até os Ex-Presidentes depostos e/ou suas viúvas. (…)

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PLEBISCITO

 

08 • Ainda nesta mesma noite do dia 15, na casa de Deodoro, foi decidido pelo Decreto nº 1, de 15 de Novembro de 1889, que se faria um Referendo Popular, para que o povo brasileiro aprovasse ou não, por meio do voto, a República que inventaram. Porém esse Plebiscito só ocorreu 104 anos depois em 1993, pelo artigo segundo do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição de 1988, quando todos que possuíam algum parâmetro comparativo entre o Império e a República haviam morrido; além da República nestes 104 anos ter tido tempo mais do que suficiente para desconstruir a Aura Democrática (considerada a mais liberal do seu tempo) da Monarquia Parlamentar Constitucional Representativa do Império do Brasil, no decorrer de quatro gerações nos bancos das escolas… Obviamente que o povo na ocasião votou naquilo que mais conhecia: na República Presidencialista. (Emanuel Nunes Silva)

NOS PASSOS DO IMPERADOR II – (DIÁRIO)

Curiosidades do Império brasileiro

O que a Escola Esconde Sobre a Monarquia

JOVEM, O BRASIL E A MONARQUIA PRECISAM DE VOCÊ !!!

CHEFE DE ESTADO A Princesa Dona Isabel do Brasil em visita aos feridos da 1ª Guerra Mundial

CHEFE DE ESTADO

A Princesa Dona Isabel do Brasil em visita aos feridos da 1ª Guerra Mundial

Na Família Imperial, ações assim não ocorriam apenas em época de guerra. No Império do Brasil, era comum o Chefe da Nação, o Imperador Dom Pedro II, exemplo seguido pela Realeza, visitar hospitais, escolas, quartéis… Lá, ficava, questionava, via o funcionamento… Isso era todos os anos o ano todo, e não fazia propaganda de si, ia para ver como o povo estava sendo tratado. Essas ações são um contraste toda com o que os políticos republicanos fazem, eles visitam esses locais, salvo “raríssimérrimas” exceções, em época de eleição, para vender sua imagem e conseguir votos… Depois somem e, se bobear, nem lembram mais da localidade.

Como triste exemplo disso, hoje, temos os UPAs… UPPs… Clínicas da Família… e outra infinidade de ações políticas que os “representantes do povo” usam para se eleger, mas eles mesmos não fiscalizam esses locais.

Esse é um dos vários motivos pelo qual a Chefia de Estado deve estar separada da Chefia de Governo e, também, de partidos políticos. Somente um Chefe de Estado suprapartidário poderia fazer ações assim e cobrar.

Essa é uma pequenina leitura sobre a ação, ou melhor uma das ações, do Chefe de Estado monárquico.

DEUS SALVE O IMPÉRIO DO BRASIL!

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A Hipocrisia Humana

A Hipocrisia Humana

AutorSebastião Fabiano Pinto Marques

São João del-Rei, MG

 

Cuidado: a mentira mata. Centenas de milhares de pessoas morrem anualmente por causa da violência, falta de saúde, agrotóxicos, poluição, fome, acidentes de trânsito, falta de saneamento, desastres e outros problemas. A causa é a mesma de sempre: a mentira. No Brasil ela se chama república. O maior conto de fadas já contado e que muitos bobos acreditam, apesar de haver 120 anos que ela não dá certo.

Fico impressionado com o alcance da hipocrisia humana quando dou uma parada e olho o mundo ao redor. Senhores, doutores e corruptores batem a mão no peito e defendem suas posições como se fossem exemplares perfeitos da mais pura ética e moral, dignos de fundarem qualquer religião que salve de modo cabal a alma de seus seguidores.

Alguns deles chegam a se contorcer quando escutam a palavra “violência” como se não cometesse atos de violência o tempo todo contra seus semelhantes. Esses senhores defensores dos direitos humanos, das liberdades e tantos nomes bonitos que infestam o discurso dos famélicos políticos; são os que mais causam mal e violentam a vida das pessoas. Eles perpetuam um sistema gerador das mais intensas contradições, a república, que reduziu os brasileiros a bestas que acreditam em contos da carochinha.

Uma sociedade doente, fraca e hipócrita como a nossa não tem moral para falar de ética porque ela é anti-ética em sua essência. Ela despreza a liberdade, repudia a igualdade e declarou ódio de morte contra a vida. Se ela diz que defende esses valores, isso é palavrório furado, é tática de demagogia. Por acaso você já ouviu algum político defendendo alguma idéia que não fosse justa e honesta? Pelo que ouço, dizem querer o bem da sociedade e por aí vai…

Se você duvida, levante da cadeira, dê uma voltinha na rua e experimente encontrar algum político em época eleitoral. Ele vai te dizer tanta coisa bonita e justa que você vai chorar de emoção! Talento impressionante! Será que os diretores de novela televisiva sabem disso?

O Doutor Fernando Collor de Melo, um dos muitos exemplos clássicos de corrupção política brasileira, foi o Presidente que sancionou a lei 8.429/1992 que estabelece normas severíssimas para punir e reprimir a improbidade administrativa. Isso mesmo! Aquele mesmo presidente que se autoproclamava o “Caçador de Marajás”.

A política brasileira tem esse dom nefando de atrair para si os piores elementos da sociedade. O senso comum não tem condições de julgar quem eles são através da TV, pois não é possível, pelo discurso, diferenciar o político picareta do sério. Sendo assim, nossa democracia, se é que podemos dizer isso, seria melhor definida como um jogo de cabra-cega no qual o eleitor, de olhos vendados, tenta acertar o rabo do burro de tempos em tempos.

O resultado dessas escolhas aleatórias é o que vemos hoje: caos econômico e social. Os politicólogos do governo talvez tenham outra versão para essa história: crescimento da balança comercial, aumento das exportações, responsabilidade administrativa e esse tanto de palavrório técnico para fazer parecer que está tudo bem. Entretanto, não acredito que isso seja verdade, pois o Brasil está podre de tanta corrupção política.

O Rio de Janeiro está fora de controle. Cada favela é uma cidade-estado independente. Lá o governo republicano do Brasil não exerce sua Soberania. A religião substituiu as escolas, e o empresário fora da lei – geralmente o traficante de drogas – assumiu para si as funções estatais. É comum vê-los encarregados pelo “fornecimento de energia elétrica”, “água”, “serviço postal” e “proteção”. Alguns deles já evoluíram e estão fazendo “julgamentos” nos quais decidem desde “divórcios” até a “pena de morte” dos seus “súditos”. Esse fenômeno não é recente. Basta lembrar que a maioria dos estados europeus tiveram origem em bárbaros fora da lei que se aproveitaram da fraqueza institucional do Império Romano.

O Estado brasileiro não consegue ver que há concorrentes dentro do seu próprio território. E de fato, ele não poderia. Os governantes estão muito preocupados com o próprio umbigo, assim, não sobra tempo para administrar o país. Esse é o mau das repúblicas: quando os políticos buscam o próprio interesse – regra geral – prejudicam toda sociedade. Infelizmente, esse problema não é específico de um partido político, é geral. Faz parte de nossa cultura. Todos querem levar vantagem. E que mal tem nisso? A meu ver, nenhum. O problema é quando a minha vantagem ou a vantagem particular do fulano prejudica toda sociedade. Infelizmente, a república não é capaz de evitar o problema. Só a Monarquia o pode porque o interesse pessoal do Monarca coincide com a vantagem da sociedade como um todo.

Não se muda a cultura de um povo. Isso é processo Milenar. O que se faz é adaptar-se à cultura de um povo. Nosso jeitinho brasileiro – que nos faz tanto mal na república – é nossa tábua de salvação na Monarquia e na economia. É graças ao “jeitinho” que somos criativos e competitivos no mercado, apesar de nossas empresas estarem sufocadas com a taxa de juros mais alta do planeta e o pior governo da face da terra. Foi graças ao “jeitinho” que o Brasil foi o único país de 1º mundo da América do Sul com economia forte e respeito mundial durante todo período que fomos Monarquia. Sim! Fomos primeiro mundo ao lado da Inglaterra, França e Estados Unidos! Posição que perdemos com a república!

 

Apoie a campanha “Falsidade, tô fora” e ajude a fazer do Brasil um país menos hipócrita. Diga não à república, diga não à hipocrisia.

Tudo tem dois lados. E assim é também com nosso “jeitinho”. Se formos inteligentes, vamos fazer o lado bom dele brilhar. Se formos teimosos, vamos continuar quebrando a cara por mais 120 anos com a república.

Conscientizar é a solução? Não! Não é a conscientização que irá fazer de nosso país uma república melhor. Isso é conto de fadas! Veja o caso do dengue. Nunca se falou tanto sobre isso na televisão, rádio e internet. Tem até agente de saúde que vai à casa das pessoas todo mês para fazer prevenção e conversar. Adianta alguma coisa? Não. O dengue continua avançando. Por quê? Porque o povo não tem interesse pessoal em combater o mosquito. Eles acham que é obrigação só do governo. Aliás, limpar o quintal incomoda. Enfim: a propaganda contra o dengue é o melhor exemplo de que conscientizar não adianta nada quando o interesse pessoal está em jogo. Entre a vantagem pessoal e a consciência, a vantagem sempre leva vantagem… O político corrupto tem muita consciência do que faz. Ou você acredita que ele não sabe que surrupiar dinheiro público é crime dos mais infames? Lógico que sabe. Você que é bobo de acreditar que conscientizar as pessoas vão fazê-las parar de buscar vantagens para elas próprias.

Enquanto formos hipócritas, jamais teremos condições de construir um Estado que seja Estado. A falta de ética não é um problema de berço ou religioso como acredita o vulgo, é um problema de educação pública. As escolas privilegiam uma educação técnica, voltada para o ensino de ciências, mas despreza aquilo sem a qual nenhum conhecimento técnico produz bons frutos: ética. Aliás, temos outro problema sério. No nosso sistema atual, quem for ético não tem chance na política, nem nas empresas privadas. É a hipocrisia de nosso sistema. Fala-se de ética como se todos fossem exemplos impecáveis dela; mas se você quiser realmente praticá-la, será punido pela sociedade. Dois pesos, duas medidas! Quanta hipocrisia!

Se quisermos um país melhor, devemos aprender a diminuir nossa hipocrisia. E podemos começar admitindo que queremos levar vantagem em tudo. Que mal tem nisso? Você gosta de ser passado para trás o tempo todo? Você gosta de fazer parte de um país de bobocas? Eu não!

A inversão de valores em nossa sociedade é muito grande. A exemplo do Marechal Deodoro da Fonseca, que cometeu alta traição contra o imperador Dom Pedro II e hoje é considerado o grande herói da república. Isso só evidencia duas coisas: 1) o conceito de Ética é muito relativo quando se vive num país anti-ético; 2) Corrupção desregrada é o mínimo que poderia se esperar de uma república com um nascimento tão “glorioso”.

Não se iluda. Tanto faz quem seja eleito no Brasil, enquanto formos uma república, continuaremos um país de pândegos.

Mas a podridão e a hipocrisia não são privilégios da política. Há também os bondosos servos de deus!! Eles dizem que o “amor” é a meta da vida deles, que é importante “ajudar o próximo” e blá, blá, blá. O mais impressionante é que a maioria desses “doutores do amor” são aqueles que cobram um preço extra de seu semelhante, fazem negócio com tudo, vendendo, comprando, trocando e cobrando taxas… de Graça!!! Não!!! Tem preço: na igreja é 10% e na vida privada os outros 90%, pois “está escrito…”.

Também há os que ensinam ao povo aceitar sua condição desgraçada para entrar no “Reino de Deus”. Dizem que Deus fez o mundo injusto e que cabe aos fiéis aceitar isso sem indignar-se para receberem a “Santa recompensa”. Enfim: diante disso tudo, fica difícil não concordar com as críticas de Max Webber, Durkheim e Friedrich Niestzche.

 

Hipocrisia política: nas eleições, os políticos sempre sorriem e são “boa gente”. Mas tão logo elas passam, eles enfiam a faca nas nossas costas. O motivo é o mesmo de sempre: o interesse deles prevalece e, infelizmente, não coincide com os da sociedade.

O pior é que sempre foi assim. Não é de agora que o ser humano tornou-se um grande vilão estuprador de almas. Os relatos históricos mais antigos atestam muitas matanças, barbáries, pilhagens e instituições que legitimaram a hipocrisia em nossa civilização. Sófocles, o grego, já dizia muito antes dos cristãos povoarem a terra que o dinheiro corrompe os corações humanos. E, por acaso, alguém o levou a sério?

Basta observar a comédia do natal que acontece todo final de ano no mundo cristão. O evento não tem nada a ver com o aniversariante, é apenas uma data comercial que serve para consolidar o domínio do deus capital e toda aquela hipocrisia rasteira pela qual o Nazareno foi pregado na cruz. Enfim: uma trágica ironia da história.

Ademais, se conversarmos com nossos conhecidos, observaremos que a maioria diz querer e praticar o bem em relação ao próximo. Mas se isso é verdade, sinceramente não entendo porque o Brasil é este grande celeiro de piratas avarentos.

O que dizer sobre tudo isso? Somos hipócritas!! Conhecemos o que precisa ser feito, sabemos como fazê-lo, mas não fazemos nada porque estamos brutalmente anestesiados para “tolerar” o fedor da latrina que é a nossa sociedade. Jogamos a culpa nos políticos quando a culpa é nossa de concordarmos com a república.

 

Beatificação da Princesa Dona Isabel

Entrevista exclusiva com o Professor Hermes Rodrigues Nery sobre o pedido do início do processo de beatificação da Princesa Dona Isabel
Quando muito se fala no pedido do início do processo de beatificação da Princesa Dona Isabel, o Blog Monarquia Já foi em busca de mais detalhes sobre o assunto. Pensando nisso procuramos o responsável pelo pedido junto a Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, o Professor Hermes Rodrigues Nery.

O vereador Hermes Rodrigues Nery em seu Gabinete como Presidente da Câmara Municipal
de São Bento do Sapucaí

Coordenador da Comissão Diocesana em Defesa da Vida e do Movimento Legislação e Vida, da Diocese de Taubaté (SP); professor de bioética (pós-graduado pela PUC-RJ, em curso promovido pela CNBB e Pontifícia Academia para a Vida); político, escritor e jornalista, o Professor Hermes é também vereador de São Bento do Sapucaí e, com exclusividade, concedeu entrevista ao Blog Monarquia Já.
Entrevista que abaixo transcrevemos nesta simbólica data de 15 de novembro, batizado da Princesa Dona Isabel.
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“A PRINCESA ISABEL É MESMO UMA MULHER SANTA”
Afirma o prof. Hermes Rodrigues Nery em entrevista ao Blog Monarquia Já
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BMJ – Como surgiu a iniciativa de solicitar a beatificação da Princesa Dona Isabel à Arquidiocese do Rio de Janeiro?
Prof. Hermes – Moro numa pequena cidade do Estado de São Paulo e como Presidente da Câmara Municipal de São Bento do Sapucaí (biênio 2009-2010) recuperei todas as atas antigas da Câmara, desejando obter subsídios para escrever a história do Município. Meus assessores disseram que a mais remota era de 1957, e que as demais estavam dispersas, perdidas, muitas delas numa enchente de 1945. Conversando com um e com outro, ex-prefeitos, pessoas idosas, professores, etc., conseguimos localizar todas as atas originais, desde a primeira, de 1858. Contratei paleógrafos de Pindamonhangaba para transcrever especialmente o primeiro livro (até 1868), e fiquei admirado de constatar informações preciosas sobre o Segundo Reinado e entendi então que os documentos, na fonte, falam muito, iluminam bastante, sem crostas ideológicas. Pelas atas tomei conhecimento de que escravos alforriados foram lutar na Guerra do Paraguai e que na cidade havia um quilombo, que mais tarde daria o nome a um bairro do Município. Ao contrário do que pensava, nem todos os quilombos eram de escravos revoltosos, mas aquele, de modo especial, era de alforriados católicos muito devotos.
Eu conhecia no bairro do Quilombo a dona Luzia, uma senhora de quase 80 anos, líder do bairro, e que todo ano mantinha a tradição da festa do 13 de maio. Fui conversar com ela a respeito das origens do bairro e ela me contou que aquele Quilombo era abençoado, porque aquela festa existia para homenagear uma santa. Fiquei impactado com aquela colocação e indaguei. Mas que santa? E ela me respondeu, com muita simplicidade e profunda emoção: a Princesa Isabel. Havia em sua fala, uma forte devoção e um sentimento de gratidão, havendo, sim, mais que um respeito tão grande, mas uma veneração. Naquele momento algo me chamou a atenção e me fez começar uma pesquisa mais aprofundada para entender o que ainda hoje, decorridos mais de um século, uma descendente de escravos reconhecia na Princesa Isabel sinais de santidade.
Senti-me no dever de buscar uma bibliografia sobre a vida da Princesa Isabel, e após a leitura da biografia escrita por Hermes Vieira, comecei a entender que o sentimento da dona Luzia tinha fundamento. A história de vida da Princesa Isabel, por tudo o que ela viveu e sofreu, pelo tanto que ela amou o Brasil, especialmente a dor de seu longo exílio e tantos outros fatos, me fez crer que se tratava mesmo da história de vida de uma santa, mas muito pouco conhecida e aprofundada e que diante disso, precisávamos ter acesso aos arquivos, aos documentos, às suas inúmeras cartas, aos depoimentos dos que a conheceram, em vida, etc. E cada vez mais que tomava contato com algum novo documento, foi amadurecendo em mim a convicção de que a Princesa Isabel é mesmo uma mulher santa. Daí a motivação pelo pedido da abertura do processo de sua beatificação.
BMJ – Quais são suas virtudes heroicas, em que se baseia o pedido?
Prof. Hermes – Por ter uma personalidade forte e resoluta, a Princesa Isabel soube tomar decisões acertadas e corajosas, num momento histórico que requereu sabedoria e precisão decisória. Com isso, conseguiu efetivar a abolição da escravatura em nosso País, sem derramamento de sangue, sem sublevação e sem desordem pública. O que não aconteceu, por exemplo, nos Estados Unidos, cuja guerra de Secessão vitimou tantos, pela mesma causa. Ela não titubeou em anuir ao imperativo da História, pautada nos princípios e valores humanos e cristãos, pagando por isso um preço muito alto: a perda do trono e o mais cruel banimento sofrido por uma autoridade política em nosso País.
Ela era uma pessoa alegre e cativante, gostava de festas, era culta e elegante, tocava piano e falava vários idiomas. Mas era uma alma simples e terna, muito compassiva para com os sofredores, e muito animada pela alegria de viver. Perdeu tudo o que havia se preparado em tantos anos, pois sabia que como futura Imperatriz, queria dar o bom exemplo de governante cristã. Mas o golpe do 15 de novembro, exigiu 24 horas para deixar o País, que nunca mais veria, até sua morte, 32 anos depois. Suas melhores virtudes cristãs foram afirmadas em seu penoso exílio, confiante em Deus, zelosa da família e dos deveres éticos e cívicos, soube sofrer os padecimentos com a mesma generosidade e dar o bom testemunho. Outros tantos dissabores e sofrimentos vieram nos anos de proscrição. O incêndio no Castelo d’Eu, em 1902, o flagelo da Primeira Grande Guerra (a quem acudiu a muitos, socorreu a tantos), a morte dos filhos, etc., até a aceitação de saber que nunca mais veria o Brasil, e as manhãs luminosas do Rio de Janeiro, sua cidade natal. E aceitou tantas dores (muitas delas injustíssimas) na confiança de Deus sempre providente. Por isso, foi provada na fé.

BMJ – A Princesa Dona Isabel é conhecida por todos pela singular bondade, religiosidade e, principalmente, pela ampla contribuição nas questões sociais, podendo ser citada sua magnanimidade ao abolir a escravidão do Brasil, ato almejado por seu avô e por seu pai, mas efetivado por ela. Dado os fatos, seria a Princesa Dona Isabel um grande vulto da História do Brasil, mas não propriamente uma santa?
Prof. Hermes – Depois de estudos aprofundados, constatamos muitos fatos que dá á Princesa Isabel uma dimensão muito mais ampla, do que apenas de ter sido “um grande vulto na história do Brasil”. Ela fez muito mais não apenas para o Brasil, mas também para a Igreja. A sua adesão ao Evangelho foi autêntica e suas atitudes e decisões confirmaram o entendimento profundo que ela teve dos princípios e valores humanos e cristãos, vividos em todos os aspectos, tanto na vida pessoal quanto pública. A sua vida foi inteiramente de coerência e fidelidade ao Evangelho. Os depoimentos de todos os que a conheceram testemunham o seu vigor moral e cívico, alimentado por uma espiritualidade católica exemplar.
Foram muitas as suas iniciativas em defesa da fé, numa época em que se gestava especialmente no continente europeu as ideologias anticristãs mais contundentes. Francisco Leme Lopes, S.J., reconhece, em seu texto “Isabel, a Católica” que o “13 de maio é em verdade a maior data da nossa história”. E destaca a Rosa de Ouro que ela recebeu do Papa Leão XIII, “insígnia que o Brasil receberia de novo mais de meio século depois para a Basílica da Virgem de Aparecida”, as três vezes em que ela esteve “na direção suprema do País”, e “empunhou com mão serena e hábil o cetro imperial”, promulgando duas importantes leis de reforma social, a do Ventre Livre (1871) e a Lei Áurea (1888). É da princesa Isabel também a petição assuncionista, datada de 8 de setembro de 1900, solicitando ao papa a declaração do dogma da Assunção de Nossa Senhora. No ano seguinte, em 13 de maio reforçou este pedido ao episcopado brasileiro, para que chegasse à Santa Sé esta sua súplica.
No exílio, trabalhou muito para defender a fé, escrevendo ao papa: “Longe de minha pátria, sinto-me feliz ao menos por trabalhar pelo que nela pode fortificar a fé”. Ainda é da princesa Isabel outro pedido ao papa, unindo-se á voz do episcopado brasileiro, em 1877, pela canonização de Anchieta. “Queira, pois Vossa Santidade resolver que é lícito aos católicos brasileiros venerarem em seus altares a imagem de tão santo varão”. Sua devoção mariana está expressa em diversos documentos: “Meu amor e devoção à Santíssima Virgem torna-me grato escrever. Justamente em 1908, festejar-se-á o jubileu de Nossa Senhora de Lourdes cujo santuário inúmeras vezes visitei com a maior emoção”. Lourenço Luís Lacombe conta de sua compaixão pelos sofredores, em carta datada de 7 de novembro de 1864: “Hoje, foi dia de limpeza da Igreja e deixamo-la muito bem arranjadinha pela manhã (…) Acabamos, há pouco, com a festa da Igreja. Perdoei 6 réus e comutei duas penas de morte. É uma das únicas atribuições de que gosto no tal poder!!!”.
E depois da glória do 13 de maio, destacou Francisco Lemes: veio “a traição, o abandono, o exílio, a morte dos pais, o esquecimento, a ingratidão”. De maneira que há muitos registros e documentos, como também testemunhos tanto de sua época, como das décadas posteriores, da sua força moral e espiritual, que faz dela uma presença de bondade e amor de dimensão universal, cuja santidade certamente um dia será confirmada pela Igreja, para que ela seja elevada às honras dos altares, do mundo inteiro.
BMJ – A Princesa Dona Isabel era mulher significativamente dedicada à Família, às causas dos descriminados, sofreu, depois de seu casamento, uma grave campanha difamatória por parte de políticos e homens de poder da época. Exilada na França, sabe-se que se dedicou também a assuntos do Brasil, à Família e à caridade, no entanto, pouco se sabe dos detalhes. Os relatos das netas, a Condessa de Paris – De todo meu coração, e da Condessa de Nicolaÿ – Minha Mãe, a Princesa Imperial viúva (tiragem familiar, acessível a poucos), ajudam a vislumbrar um pouco sobre o fim da vida da Princesa Dona Isabel. Além de cinco ou seis biografias da Princesa, dentre as quais apenas duas ou três são relevantes, o que se sabe efetivamente sobre sua história, sua vida, não se deve fazer uma grande pesquisa?
Prof. Hermes – Estamos trabalhando nesse sentido, analisando os documentos, as suas inúmeras cartas, vários textos produzidos, além de uma boa bibliografia já existente. Penso que a nossa geração está mais receptiva a conhecer a luminosa vida da Princesa Isabel, sem as sombras ideológicas que macularam a visão conjuntural de sua biografia. Ela tem uma grande história de vida, e um modelo a ser seguido pela geração de jovens (no campo pessoal, como filha, mãe e esposa exemplar, e no campo público o modelo de governante cristã). Pretendemos no estudo que estamos preparando, fazer um panorama de seu tempo, para entender de modo amplo, os acontecimentos que marcaram a história do Brasil e da Igreja, na segunda metade do século XIX e início do século XX. Certamente muitos ficarão impactados com a força desta mulher, que não apenas em seu tempo, mas ainda hoje exerce grande admiração entre os brasileiros. O importante é que junto com a produção deste estudo, vamos subsidiar a Arquidiocese do Rio de Janeiro com todos os documentos e informações possíveis, para ajudar no processo que visa a beatificação. Com tudo isso, os brasileiros irão amar cada vez mais esta mulher que nasceu destinada a ser a Imperatriz e defensora perpétua do Brasil.
BMJ – Efetivamente, qual era a conduta religiosa da Princesa, isto é, o seu pensamento religioso, as bases de sua crença, em quais os aspectos pode-se atribuir santidade a seus atos?
Prof. Hermes – A Princesa D. Isabel foi a mais preparada para exercer o governo, e a que mais convictamente viveu os princípios e valores da fé católica em nosso País. Foi através de uma sólida formação, um matrimônio estável e a consciência dos problemas nacionais, exerceu os três períodos de regência com exemplar dignidade e coerência, demonstrando o quanto promissor seria o 3º Reinado. A partir da doutrina moral e social da Igreja Católica, que ela tão bem conheceu e viveu, norteou sua conduta pessoal e pública, inspirada no melhor exemplo dos príncipes cristãos, como a de São Luís, capaz de renúncias e sacrifícios pelo bem comum. Como tão bem salientou Francisco Leme Lopes, diante dos sofrimentos, a Princesa d. Isabel, “austeramente fiel ao ensinamento paterno, ela continua a orar, a bem-fazer, a perdoar. No seu exílio, não permite recriminações nem queixumes. Certa da justiça que lhe há de fazer a história, contempla serena as misérias do presente… e quando se lembra das horas de infortúnio, só lamenta que da tremenda catástrofe não saísse uma pátria mais honrada, mais próspera, mais livre, mais digna, mais feliz…” O seu projeto de Brasil, solapado pelos republicanos positivistas, e desprezado pelos anárquicos que hoje ocupam os primeiros postos do governo, era um projeto de acordo com a identidade e a alma da Nação brasileira. Por isso ela foi tão querida e ainda hoje é, por estar ancorada no coração do povo, e de ter se empenhado com tão sincera dedicação na promoção de um Brasil pujante, com base no humanismo cristão.
BMJ – Como está sendo recebida está campanha pela Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro?
Prof. Hermes – Tanto Dom Orani Tempesta, quanto Dom Antonio Augusto foram muito receptivos ao pedido de abertura do processo de beatificação. Dom Orani explicou que terá primeiramente que obter uma licença da Arquidiocese de Paris, tendo em vista que à princesa Isabel faleceu lá. A partir de então instituirá uma Comissão Especial para fazer os estudos necessários e buscar informações no sentido de comprovar as virtudes heroicas da Princesa Isabel, a força de sua fé, com o relato de depoimentos e testemunhos, e a constatação de milagres. Estamos desde então aprofundando os estudos, e cada vez mais convictos de que a vida da princesa Isabel corresponde às exigências que podem efetivar a sua beatificação. Sobre sua fama de santidade e devoção do povo para com ela, podemos atestar já em sua vida. José do Patrocínio, assim que foi assinada a Lei Áurea, ajoelhou-se aos pés de D. Isabel e lhe chamou de santa, “Santa Isabel”. Os documentos comprovam, em várias localidades do Brasil, práticas de devoção à princesa Isabel, especialmente nas festas do 13 de maio feitas por descendentes de escravos, a exemplo do que acontece em São Bento do Sapucaí, com a tradicional festa da dona Luzia, no bairro do Quilombo. O título de A Redentora lhe veio justamente pela sua fama de mulher exemplar de fé cristã, que foi capaz do grande feito da libertação, com prudência, energia e coragem necessárias, num processo gradual, sem derramamento de sangue. Até hoje historiadores ficam admirados com a explosão de júbilo de toda a Nação após a assinatura da Lei Áurea. Foram dias festivos intensos, não se tratando apenas da comemoração de uma lei que há muito se esperava, mas do modo como tudo aconteceu e de quem protagonizou o feito, cujo sentimento de profunda gratidão ficou expresso por muito tempo, e até hoje alcança muitos corações brasileiros.
BMJ – Existe alguma base de possíveis fiéis já dispostos a trabalhar pela causa de beatificação?
Prof. Hermes – O movimento Legislação e Vida, da Diocese de Taubaté, que já vem atuando desde 2005 na defesa da vida, tendo sido bem sucedido, junto com outros grupos pró-vida, na luta contra a legalização do aborto do Brasil (http://juliosevero.wordpress.com/…/%E2%80%9Cfoi-uma-vitori…/), especialmente para a rejeição do PL 1135/91, que visava descriminalizar o aborto, até o 9º mês e foi rechaçado pelas Comissões de Seguridade Social e Família e Constituição e Justiça, do Congresso Nacional e, finalmente, arquivado este ano, também responsável pela aprovação da primeira lei orgânica do País a reconhecer o direito a vida desde a concepção, no texto constitucional local (http://diasimdiatambem.com/…/promulgada-lei-organica-pro-v…/). O Movimento Legislação e Vida, está trabalhando para incluir na Constituição do Estado de São Paulo o direito a vida como primeiro e principal de todos os direitos humanos (http://noticias.cancaonova.com/noticia.php?id=283521). Depois de bem sucedidas ações (http://diasimdiatambem.com/…/abortistas-sofrem-outra-derro…/), junto aos bispos, religiosos e leigos, em trabalho de comunhão eclesial, coube ao Movimento Legislação e Vida apresentar a Dom Orani o pedido para a abertura do processo de beatificação da Princesa Isabel, com o apoio do nosso bispo da Diocese de Taubaté, Dom Carmo João Rhoden. Nesse sentido, acreditamos que esta nova causa em muito ajudará também a ampliar a sensibilização da defesa da vida no País, pois assim como o movimento abolicionista, o movimento em defesa da vida hoje reforça o pensamento da doutrina social cristã que a Princesa Isabel teve como base para as suas ações pessoais e públicas. Acreditamos que também teremos êxito, com a graça de Deus, nesta iniciativa.

BMJ – Está prevista alguma diretriz para a campanha, isto é, algo que se assemelhe como os processos do Beato Imperador Carlos e da Serva de Deus Imperatriz Zita da Áustria ou da Rainha Geovana da Bulgária, que mobilize instituições católicas?

Prof. Hermes – Exatamente é o que estamos fazendo, buscando sensibilizar e mobilizar pela causa da beatificação da Princesa Isabel, conversando com bispos, religiosos e leigos, buscando os documentos, os depoimentos, os testemunhos, recortes de jornais, pronunciamentos oficiais, cartas, enfim, tudo o que pode comprovar a santidade da Princesa Isabel. Trata-se de um novo movimento isabelista que agregue os católicos em nosso País, com força unitiva, para a promoção de uma maior unidade da fé em nosso País. A Internet irá nos auxiliar muito nesse sentido, pois desejamos viabilizar um site que reúna todas as informações sobre a Princesa Isabel – documentos escaneados, pdfs, textos, artigos, entrevistas, livros, iconografia, vídeos, enfim, tudo o que pudermos reunir para somar o máximo de informações que contribuam a um melhor conhecimento do quanto a Princesa Isabel fez pelo nosso País, e do quanto a história de sua vida é um exemplo universal.

BMJ – Quais são suas perspectivas com relação ao processo de modo geral?

Prof. Hermes – As perspectivas são promissoras, e esperamos que com a visita do papa Bento XVI ao Rio de Janeiro, em 2013, possamos avançar no processo e obter a documentação e o milagre necessário para que o mesmo propósito de Santa Teresinha se repita com a Princesa Isabel, quando a Santa de Lisieux expressou: “Vou passar meu céu fazendo o bem na terra”. Sentimos vivamente a intercessão da Princesa Isabel, no atual momento da história do Brasil, e penso que a sua influência nos destinos da Nação fará história, pois muito do que ela quis realizar como Imperatriz, ainda está por fazer: o seu projeto de Nação, a partir dos valores humanos e cristãos

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